Uma experiência que deu certo
Por Carmélia Viana
A União Brasileira de Mulheres – UBM, em por entender que uma das dificuldades encontradas pelas mulheres no mercado de trabalho é a falta de qualificação vem buscando parcerias com o Governo Federal, para contribuir na formação de mulheres, sobretudo daquelas que são chefes de família. Em Minas Gerais, a primeira experiência se deu em 2009, quando Através de Uma Emenda Parlamentar apresentada pela Deputada Jô Moraes do PC do B, foi executado o Projeto Atalhos e Retalhos com recursos da Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres.
O projeto consiste em qualificar mulheres em moda, estilo e acessórios utilizando retalhos, ou seja, o material descartado pelas fábricas de vestuário. Além da qualificação para o mercado da moda, as alunas receberam aulas e palestras de assuntos transversais como: Direito da pessoa, Direitos humanos, trabalho e cidadania; preservação ambiental e saúde, relações interpessoais, expressão corporal, utilizando o teatro e a dança como instrumento de inclusão.
Inserido nas comunidades carentes o projeto teve duração de um ano e atendeu direta e indiretamente cerca de 600 pessoas. Foram criados três núcleos em Belo Horizonte e Região Metropolitana, sendo 3 turmas no primeiro semestre e 3 no segundo com, aproximadamente, 120 alunas freqüentes, tendo em média 20 alunas por turma, com idade que variava entre 15 e 90 anos. Deu ainda a oportunidade de contratar pessoas e serviços nas comunidades.O projeto teve a coordenação geral da companheira Eulália Regina, que contou com a colaboração das demais, Carmélia Viana – Coordenadora da UBM no estado - Bebela - Presidente do Movimento Popular da Mulher – Entidade parceira – e Maria de Lourdes Silva Coordenadora jurídico-financeiro do projeto.
Entre as parcerias firmadas, uma merece destaque especial. Foi com a APAE/BH, onde foram atendidas as mães de alunos da instituição. Foi muito gratificante para nós trocar experiências com uma entidade tão respeitada quanto a APAE e poder trabalhar com mulheres que superam obstáculos todos os dias na busca e efetivação dos direitos de seus filhos com necessidades especiais. E que, por causa destes são duplamente discriminadas e violentadas, ficando só na maioria das vezes.
Muitos foram os desafios encontrados, Porém uma experiência grandiosa, dado a receptividade e aceitação das entidades parceiras, das lideranças comunitárias, sobretudo das mulheres participantes. Pudemos perceber através da experiência, de conviver e da escuta a essas mulheres, como é que décadas de opressão, repressão e violência adoecem e maltrata as mulheres; o quanto estas mulheres estão carentes de tantas coisas e, principalmente de carinho, de afeto, atenção e de perspectivas. Estão carentes de pessoas e situações que destrua a sensação de menos valia e lhes aumente a auto-estima e lhes estimule a descobrir que elas querem, podem e são capazes.

Texto publicado na revista Presença da Mulher nº58, março de 2010.
Carmélia Viana
E psicóloga e atriz; é Conselheira Municipal dos Direitos da Mulher de Belo Horizonte e coordenadora da UBM no estado de Minas Gerais.
Texto publicado nona revista presença da Mulher edição nº 58, março de 2010.



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